De que você compra o erro?

Se a gente parar pra pensar um pouco dá pra se ter uma idéia da quantidade de teorias, planejamentos, métodos, procedimentos e ISOs  que existem por aí.

MBAs, cursos, Pós-graduações, matrizes, estratégias, sistemas de informação, palestras, pensadores, livros, enciclopédias e wikipédias, blogs, movimentos, pesquisas, táticas e softwares também caem tudo no mesmo saco.

É uma imensa massa de informação passada e repassada que existe por um único objetivo: reduzir ao máximo a possibilidade de erro.

Já pensou nisso?

Além de enriquecer psiquiatras e autores, esse comportamento consegue gerar uma demanda monstruosa de teorias semeadoras de novas contra-teorias num círculo sem fim. Qual você segue? Por quanto tempo? Quais os sinais de correção? Será que realmente serve para você?

É de enlouquecer, não?  Não dá pra saber se estamos no caminho do sucesso absoluto a prova de falhas. Ficamos às cegas, chuleando uma que outra interpretação de dados que vá nos dar algum frágil sinal alviçareiro.

O pior é que é isso aí mesmo. Jamais teremos certeza de nada.
É assim e pronto; na vida e nas empresas.

Uma parte saudável disso tudo, pelo menos no mundo corporativo, é que empresas que estabelecem uma hierarquia organizacional estão na verdade, admitindo a possibilidade de erro.

Por isso colocam em certos cargos, pessoas escolhidas a dedo, seguindo a lógica de que quanto mais alta a posição na empresa maior a complexidade do perfil que vai tomar as decisões e…errar.

Não me entendam mal. Não estou dizendo que este tipo de processo é um erro, só quero deixar claro que o erro já está embutido no processo. Ingênuo é aquele que crê piamente que um ser humano irá agir com 100% de certeza de êxito.

Tirando um que outro manicômio, não vejo muito desses seres por aí.

Se você contrata alguem para ser uma liderança, você quer que ele arrisque -a partir da sua experência- para que algo mude de fato.

O que acontece em muitas empresas é que a neurose de controle da base operacional passa por cima das decisões arriscadas da alta hierarquia. O resultado disso é recorrente: os mesmos erros de décadas se repetem.

O poder das “escolhas certas”, “que sempre funcionaram” e “argumentos vendedores” são mais confortáveis para quem venera e se esconde sob o famigerado controle.

Logo, não há erros novos e, com isso, não há uma diferenciação consolidada.

Se você quer que seus líderes mudem seu negócio, deixe-os errar. Desde que agregando mais valor e importância desses erros na condução da sua empresa.

Enfim, você está comprando o erro de quem? Do seu profissional estratégico (e mais caro) ou não?

Tags: teorias

Briefing Criativo - S.I.G.

Acredito que para construir um briefing inspirador é preciso primeiro encontrar a informação certa, o problema ser resolvido. Se isso não acontecer, o briefing acaba se tornando um acúmulo infindável de números, cenários e acontecimentos…páginas e páginas preenchidas mas vazias de significado. O ideal é que, neste caso, a qualidade passe longe da quantidade.

Uma forma de facilitar a busca do que tem que ser feito é adequando o S.I.G. a um briefing.

S.I.G. (Sistemas de Informação Gerenciais) é um sistema de apoio à tomada de decisões que integra e consolida dados operacionais e históricos.

Existem diferentes formas para se construir um S.I.G., eu fiz a minha.

Como funciona: a partir da busca de dados e fatos, há uma análise que gera uma informação (que eu vou chamar de problema) para só então chegar a um conhecimento (que eu vou chamar de ideia).

Simples, não?

O que acaba acontecendo é que, geralmente, se evita a parte da informação. Justamente a parte de definição do problema, ou melhor, a parte criativa. Onde se faz uma leitura dos fatos e dados pertinentes que se dispõe para apostar em um caminho criativo.

Eu disse apostar porque aqui não há mais certezas. Entramos no terreno lodoso da imprevisiblidade. Não é mais uma ciência exata que está em jogo. Depende-se da criatividade de quem cria o briefing. É nesta fase em que, com todos as ferramentas na mão, define-se um foco, um caminho campanhável.

Faça um teste, pegue um briefing e esprema até sair o sumo. Do que restou, é possivel criar algum caminho? Se não for, é porque não há dados e fatos pertinentes o bastante.

Não caia no erro de aceitar o peso operacional e o prazo exiguo. Sem este tipo de inteligência na entrada do trabalho, imagine o que vai acontecer na saída dele.

Para que este processo funcione, o fluxo do S.I.G. deve ser respeitado partindo da base da pirâmide até o topo (veja figura).

O S.I.G. e o Briefing criativo.

O S.I.G. e o Briefing criativo.

As 3 regras para se dar bem em um cardume.


Esses dias me dei conta de que a maioria dos blogs só existe pra ficar repassando posts que achou em outros blogs.

O palestrante do Campus Party 2009, Alex Primo, pesquisou sobre gêneros discursivos na blogosfera e confirmou minha impressão.

Como poucas investigações desse gênero, a pesquisa mostra, entre outras relações, o impacto da quantidade de informação gerada pelos blogs em suas respectivas audiências. Segundo ele, 21,56% dos blogs estudados resumem-se à simples reprodução (copiar/colar) de textos de outros lugares ou focam-se principalmente na sugestão de links ou downloads.

Eu sou mais azarado: 80% dos meus bookmarks é assim. Filhos da Cut’n paste culture.

O problema é que quando aparece alguém gerando conteúdo próprio de verdade trazendo um frescor, um assunto novo, ele rapidamente se destaca e já entra no circuito pra ser repassado entre outros Cut’n paste blogs. A ciranda não pára na ansiedade da tentativa de ser “a” fonte alfa dos alfas.

E essa angústia já provocou a abertura de novos tipos de negócio.

As empresas que estão ganhando um bom dinheiro com isso passam o tempo todo pesquisando tendências para nascedouros de movimentos que vão arrastar massas de 15 pessoas por algum tempo (já leu o manjado Long Tail?).

Falando nisso, esses dias vi uma pesquisa de tendências do que vai acontecer em 2010. As marcas se alimentam dessas informações para redesenhar suas estratégias. Muito legal e inspirador, é óbvio, mas juro que não sei quais as tendências de um tempo atrás que realmente se concretizaram e são vigentes hoje. Perdi o timming ou nem registrei mesmo.

Por isso que acho a habilidade de se locomover rapidamente de acordo com o “hoje” mais interessante do que lentamente baseado no “amanhã”.

Dá até pra fazer um paralelo com o balé de um cardume pois no surgimento de uma ameaça o grupo se mobiliza organicamente como um corpo só. Isso acontece porque cada indivíduo responde ao todo com uma rapidez espantosa.

Então, imagine conseguir fazer isso, ter esse poder de se redirecionar ao menor indício de movimento do seu consumidor.

Bom, como eu acho que isso tudo faz muito sentido, sim, criei as “3 regras para se dar bem em um cardume”. Assim, essa teoria não fica só no papo e você pode tentar aplicá-la no seu dia-a-dia.

Vamos às regras:

Regra 1 - Não fique parado.
O importante é estar se mimetizando no todo. O poder da massa de individuos é exatamente ser uma massa de individuos. Você já viu aquelas brigas na saida de estádios onde bandos de torcedores trocam bordoadas, pedradas e afins? Pois então, sempre tem uns 10 ou 15 presos não é mesmo?. Certo que esses não seguiram esta primeira regra do cardume. Se você tem que estar com a massa, movimente-se com ela.

Regra 2 - Cuide quem está mais perto.
Não fique olhando lá pra frente. O individuo perto de você faz parte de uma imensa cadeia que age a partir dos mesmos principios. Não se engane, os cardumes são corporativistas. A sacada é ficar de olho nos que estão à sua volta pra não se perder na grandeza do todo.

Regra 3 - Mantenha um distância minima que permita sua movimentação
Não dá pra ficar se esfregando no proximo. Tem que haver uma saida caso um predador atravesse pelo cardume. Você precisa de espaço pra isso. Ou seja, Não precisa morar com seu consumidor, não precisa se esfregar nele. Mantenha-se proximo mas sempre com espaço. Sua agilidade depende disso.

É a eureka dos mares aplicada à propaganda.

Tags: Teorias

Breath Idea

Eu sempre torci o nariz pra novos conceitos de propaganda que surgem às pencas todos os dias em sites, blogs, livros, palestras, etc. Mas esses dias caiu no meu colo uma nova teoria que me fez levantar a sobrancelha.

Trocar a Big Idea pela Breath Idea.

Os dois conceitos são muito próximos mas neste caso há uma sutil diferença de atuação e uma brutal diferença para a sua criação.

A Big Idea tem como ponto de partida a própria idéia. Ela tem que ser forte e ampla o bastante pra gerar adequações de forma -preservando o conceito- nos diversos canais de contato.

Já a Breath Idea tem como ponto de partida a sua abrangência. Como o próprio nome já diz, ela tem que ter fôlego o bastante pra tecer o conceito em todos os pontos de contato com o consumidor. Ela já nasce com o foco na conectividade e não precisa ser grandiosa na sua concepção.

Se a Big Idea é uma grande pedra conceitual, que atiramos no lago e que gera ondas de propagação, a Breath Idea é aquela pedra mais plana que atiramos no lago e que vai quicando e quicando gerando pequenos impactos com pequenas propagações porém em diversos pontos.

De prático, o que isso muda na vida real? Muito, se você é criador. É a Breath Idea que possibilita mais inovação de linguagem devido a Cross Midia ser inerente ao seu DNA.