As 3 regras para se dar bem em um cardume.
Esses dias me dei conta de que a maioria dos blogs só existe pra ficar repassando posts que achou em outros blogs.
O palestrante do Campus Party 2009, Alex Primo, pesquisou sobre gêneros discursivos na blogosfera e confirmou minha impressão.
Como poucas investigações desse gênero, a pesquisa mostra, entre outras relações, o impacto da quantidade de informação gerada pelos blogs em suas respectivas audiências. Segundo ele, 21,56% dos blogs estudados resumem-se à simples reprodução (copiar/colar) de textos de outros lugares ou focam-se principalmente na sugestão de links ou downloads.
Eu sou mais azarado: 80% dos meus bookmarks é assim. Filhos da Cut’n paste culture.
O problema é que quando aparece alguém gerando conteúdo próprio de verdade trazendo um frescor, um assunto novo, ele rapidamente se destaca e já entra no circuito pra ser repassado entre outros Cut’n paste blogs. A ciranda não pára na ansiedade da tentativa de ser “a” fonte alfa dos alfas.
E essa angústia já provocou a abertura de novos tipos de negócio.
As empresas que estão ganhando um bom dinheiro com isso passam o tempo todo pesquisando tendências para nascedouros de movimentos que vão arrastar massas de 15 pessoas por algum tempo (já leu o manjado Long Tail?).
Falando nisso, esses dias vi uma pesquisa de tendências do que vai acontecer em 2010. As marcas se alimentam dessas informações para redesenhar suas estratégias. Muito legal e inspirador, é óbvio, mas juro que não sei quais as tendências de um tempo atrás que realmente se concretizaram e são vigentes hoje. Perdi o timming ou nem registrei mesmo.
Por isso que acho a habilidade de se locomover rapidamente de acordo com o “hoje” mais interessante do que lentamente baseado no “amanhã”.
Dá até pra fazer um paralelo com o balé de um cardume pois no surgimento de uma ameaça o grupo se mobiliza organicamente como um corpo só. Isso acontece porque cada indivíduo responde ao todo com uma rapidez espantosa.
Então, imagine conseguir fazer isso, ter esse poder de se redirecionar ao menor indício de movimento do seu consumidor.
Bom, como eu acho que isso tudo faz muito sentido, sim, criei as “3 regras para se dar bem em um cardume”. Assim, essa teoria não fica só no papo e você pode tentar aplicá-la no seu dia-a-dia.
Vamos às regras:
Regra 1 - Não fique parado.
O importante é estar se mimetizando no todo. O poder da massa de individuos é exatamente ser uma massa de individuos. Você já viu aquelas brigas na saida de estádios onde bandos de torcedores trocam bordoadas, pedradas e afins? Pois então, sempre tem uns 10 ou 15 presos não é mesmo?. Certo que esses não seguiram esta primeira regra do cardume. Se você tem que estar com a massa, movimente-se com ela.
Regra 2 - Cuide quem está mais perto.
Não fique olhando lá pra frente. O individuo perto de você faz parte de uma imensa cadeia que age a partir dos mesmos principios. Não se engane, os cardumes são corporativistas. A sacada é ficar de olho nos que estão à sua volta pra não se perder na grandeza do todo.
Regra 3 - Mantenha um distância minima que permita sua movimentação
Não dá pra ficar se esfregando no proximo. Tem que haver uma saida caso um predador atravesse pelo cardume. Você precisa de espaço pra isso. Ou seja, Não precisa morar com seu consumidor, não precisa se esfregar nele. Mantenha-se proximo mas sempre com espaço. Sua agilidade depende disso.
É a eureka dos mares aplicada à propaganda.
